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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Entrevista com Rodrigo Viana

Com muita honra, recebo no blog Craque dos Boleiros mais um grande jornalista no cenário do futebol: Rodrigo Viana, jornalista do SBT. A seguir, vocês, leitores, poderão acompanhar sobre a vida do entrevistado e suas opiniões.

Biografia:

Jornalista especializado em futebol, professor universitário e blogueiro mas diz que “queria mesmo é ser jogador de futebol!”. É repórter e editor de esportes no SBT-SP, colunista do Portal Imprensa e professor de pós em jornalismo na FMU, além integrar a Universidade do Futebol e o Memofut - Grupo de Memória e Literatura do Futebol.

Rodrigo Silva Viana, mais conhecido como Rodrigo Viana, nasceu em Ilha Solteira, no estado de São Paulo. É bacharel em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Bauru (SP) desde 1993, com Mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição com diploma de 2006. Possui ainda especializações em Jornalismo 2.0 para professores pelo Centro Knight de Jornalismo das Américas e em Neurolinguística realizado no Centro de Transformação e Vivências (CTV) de Bauru.

Em 1993 teve uma experiência editorial com a criação do jornal alternativo AraraMatraca, na linha dos alternativos emblemáticos dos períodos de chumbo do Brasil, como O Pasquim.

Na sequência, colaborou com a criação da Rádio Ativa, primeiro veículo alternativo da periferia de Araraquara (SP). Depois, trabalhou em diversas redações entre o interior e a capital paulista e Minas como: TV Modelo, TV Alterosa, TV Clube, EPTV (afiliada da Rede Globo em Campinas), Record, SBT, TV Bandeirantes, TV Cultura, Rede Mulher, Cultura, Folha de S.Paulo e o jornal LANCE!, por onde acumulou experiências como roteirista, repórter, editor, apresentador e comentarista atuando principalmente nos temas de esporte, semiótica, comportamento e interdisciplinaridade.

Criou, em 2009, o FutCiência - Grupo de Estudo da Universidade do Futebol, uma plataforma virtual para integrar a comunidade do futebol, que coordena. No período passou também a ser membro do Memofut - Grupo de Memória e Literatura do Futebol.

Na época, expandiu ainda mais o campo de atuação com a criação do Blog do Rodrigo Viana onde passou a publicar seus textos sobre os temas de sua especialidade, além de postar as próprias reportagens veiculadas na grande imprensa. No veículo assinou como cartão de visita: “A bola é redonda, gira...e aqui é o ponto de encontro: jornalistas, artistas, escritores, boêmios, boleiros. Encontremo-nos todos. Nós, os quase-humanos”.


Atualmente (2013) é repórter e editor de Esportes do SBT em Osasco (SP), onde permanece desde 2011 atuando em paralelo às atividades como professor e palestrante de jornalismo esportivo. Pelo SBT viajou em 2012 ao Japão para cobrir o título Mundial do time paulistano Corinthians. Um ano depois foi a Bolívia recontar a história da morte do garoto boliviano num jogo da Taça Libertadores da América e, em seguida (em junho), cobriu a Copa das Confederações nas cidades-sede simultaneamente para a TV e seu blog.

Ainda neste ano (2013) lançará, em parceria com a Editora Summus, o livro A bola e o verbo, fruto de uma compilação de seu mestrado em literatura, futebol e jornalismo.

Entrevista:

Gabriel Dantas: Para os futuros leitores, quem é Rodrigo Viana? 
Rodrigo Viana: Jornalista, professor, palestrante, ex-jogador, um boleiro, enfim, que contorna as voltas da vida tocando a bola de primeira.

Gabriel Dantas: Em que ano ingressou no Jornalismo? Teve influência familiar?
Rodrigo Viana: Na faculdade entrei em 1993, mas já escrevia para jornais desde o colegial (1992). Meu primeiro emprego em jornalismo - Jornal O Imparcial, Araraquara, foi em 1995. Não, não tive nenhuma influência da família. Meu pai é agrimensor e minha mãe uma dona de casa. Não sei de onde veio isso, essa paixão, por isso associo muito ao fato de eu ter jogado por muito tempo na Ferroviária, time de futebol de Araraquara ao fato de hoje ser um jornalista esportivo. É um pouco desse ciclo.

Gabriel Dantas: Como é trabalhar no SBT?
Rodrigo Viana: Gosto do SBT. É uma casa alegre, diferente de todas as outras que trabalhei. Aqui não temos um departamento oficial de esportes, mas a chefia reconhece meu trabalho e tenho sido escalado para os grandes eventos, como o Mundial de Clubes no Japão e a Copa das Confederações.

Gabriel Dantas: Como é sua rotina hoje?
Rodrigo Viana: Repórter não tem muita rotina, você sabe, né? Meu horário é passado no final da tarde do dia anterior. Tenho um acordo com a casa para, às terça-feiras trabalhar pela manhã e ou no máximo, no início da tarde, pois é o dia que dou aulas numa pós graduação em jornalismo esportivo. No mais das vezes vou me gelatinando como posso entre 1001 afazeres.

Gabriel Dantas: Mudando de assunto, o que está achando dessa recuperação do São Paulo?
Rodrigo Viana: Gosto do Muricy. Muito. Me deu uma entrevista exclusiva sensacional ano passado. Acho que a mudança tem tudo a ver com ele. Um cara que enxerga muito dentro de campo, mas que tem, no meu entendimento, sua maior virtude na confiança, no astral, nessa coisa de perfeccionismo que ele pegou do Telê. Consegue passar isso ao grupo.

Gabriel Dantas:  E a crise do Corinthians, Vasco e Flamengo?
Rodrigo Viana: Não vejo o Corinthians em crise. O time e o Tite venceram demais e, agora, pagam por isso. O time que venceu o Mundial mudou muito. Faz parte da cultura imediatista do país e da própria imprensa esportiva, enxergar como crise. Quanto ao Vasco a situação parece mais complicada. Sou amigo pessoal do atual treinador, o Dorival Junior, que é da minha cidade (Araraquara), mas ali acho que falta material humano. O time joga com muitos garotos e depende excessivamente de um veterano, o Juninho Pernambucano, que tem dificuldade, até pela idade, em ter um continuismo nas partidas. É uma situação complicada. Não estou tão próximo ao futebol do Rio como estive em 2010, quando morei lá a trabalho (Tv Brasil), mas a oposição política no clube é forte e me parece que a briga maior é pelo ego do que pelo clube...parece....Já o Flamengo é uma tristeza. Dizer o que do clube de maior torcida do Brasil que mandou o Zico embora? Depois disso, podia-se esperar qualquer coisa. Não me surpreende como as coisas estão no clube.

Gabriel Dantas: Qual a sua opinião a respeito dos estaduais? Devem ser ignorados pelos clubes?
Rodrigo Viana: Não.! Pelo contrário. Cresci numa cidade do interior, vendo meu time (Ferroviária) jogar contra os grandes. E os grandes jogadores saem do interior. Sou favorável sim a uma reforma no calendário, mas não concordo com a extinção dos estaduais.

Gabriel Dantas: Você acredita que um jornalista esportivo deve assumir seu time de coração?
Rodrigo Viana: Não quero falar pelos outros, mas assumo o meu sem problemas. A Ferroviária. Pra mim, que não trabalho em minha cidade, é mais fácil. Confesso que seria difícil buscar isenção onde há tanta paixão.

Gabriel Dantas: No assunto Seleção Brasileira, você prefere a de 70 ou 82?
Rodrigo Viana: 82 sem dúvida. Porque vi jogar, porque conheci os caras pessoalmente, porque aquele futebol era mágico...enfim. Em 70 não era nascido. Mas vejo tapes às vezes e a técnica dos jogadores me impressiona. Mesmo assim, prefiro 82.

Gabriel Dantas: As torcidas organizadas atrapalham ou ajudam o futebol?

Rodrigo Viana: Pergunta complicada. De um modo geral atrapalham. Tornam-se meio de vida para marginais sobreviverem e se recriarem no meio delas. Fui à Bolívia, acompanhei o drama da família do Kevin Spada...O garoto foi morto porque havia bandido(s) infiltrados na organizada do Corinthians. Por outro lado, já vi ações extremamente positivas dentro das Organizadas. A Gaviões, por exemplo, tem funções sociais, faz sopa aos mais necessitados uma vez por semana, campanhas de doação de sangue...enfim....como eu disse, não é um tema que tenha uma resposta definitiva.


Gabriel Dantas: Nesse início de Brasileirão, quem é a maior surpresa? E a maior decepção?
 

Rodrigo Viana: Acho que o Botafogo é uma surpresa, com o Seedorf. Mesmo perdendo a liderança para o Cruzeiro, e acho que não recupera mais, joga um futebol bonito, pra frente, alegre. Quanto à decepção estava sendo o São Paulo, mas com a chegada do Muricy tudo mudou..

Gabriel Dantas: Palmeiras conseguirá o acesso para a Série A do ano que vem?
Rodrigo Viana: Sim, sobe. E vou dizer algo: foi bom para o Palmeiras ter caído. Hoje, o estádio tem mais torcedor, o time é líder, as crises são menores. É aquela teoria de que é preciso cair até no fundo do poço pra poder subir.  

Gabriel Dantas: Qual seu conceito sobre a participação das mulheres no jornalismo?
Rodrigo Viana: Acho ótimo que aconteça. E vem crescendo cada vez mais. Nas minhas oficinas (recentemente realizei uma em conjunto com o Intercom e a Revista Imprensa) a maioria era de mulheres. São fundamentais. São humanas, como nós, não?

Gabriel Dantas: Em relação à Copa de 2014, quais são as suas impressões ou constatações? A organização do Brasil, ao final da Copa, poderá ser digna de aplausos?
Rodrigo Viana: Longe dos aplausos....fiz uma reportagem na Copa das Confederações denunciando um esquema ilegal da Fifa. Além disso, há um gasto excessivo do governo com obras de infra-estrutura e estádios que já extrapolaram os valores ditos no início. Não ignoro que haverá algum legado. Mas no custo benefício, acho que o saldo vai ser negativo. Espero, mesmo, que eu esteja errado.

Gabriel Dantas: Para finalizar, conte aos leitores o projeto do seu livro 'A bola e o verbo', e deixe um recado para os nossos leitores que querem seguir a àrea do jornalismo. 
Rodrigo Viana: O livro defende que a literatura aparece no jornalismo quando crônica e futebol se unem. É uma adaptação da minha dissertação de mestrado. Um tema legal, rico, um grande estudo. Pra quem quer seguir no jornalismo digo sempre que devem olhar os novos modelos de comunicação e colocar na cabeça que jornalismo esportivo não se faz de um jeito só. Há espaço para o novo, para o investigativo, para o leve...e até para a crônica, como eu falo no livro.

O lançamento do livro A Bola e o Verbo será no dia 15/10, a partir das 19hrs, no Museu do Futebol, Pacaembu, São Paulo. Para mais informações, siga o jornalista Rodrigo Viana pelo Twitter

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