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sábado, 9 de janeiro de 2016

Opção de risco x genialidade: Zidane no Real Madrid

Após uma passagem sem vontade e emoção, Rafa Benítez foi demitido pela diretoria do Real Madrid. Fiorentino Pérez sabia que essa decisão tinha que ser tomada há muito tempo. Mas antes tarde do que nunca. E em seu lugar, ao invés de nomes consagrados, Pérez optou por uma solução caseira: Zinédine Zidane.

É uma aposta de risco. Zidane não tem um currículo expressivo como treinador. Comandou o Real Castilla - uma filial merengue - que disputa a terceira divisão espanhola. Viveu uma temporada de altos e baixos.

Mas como duvidar de Zidane, sendo que ele é o melhor jogador francês que já vi atuar? (Por favor, levem em consideração a minha idade antes de qualquer crítica). Ele tinha visão de jogo quando atuava pelos gramados do mundo. Passe refinado, cabeça erguida, mostrando respeito. Na área técnica, pode desenvolver o mesmo talento, baseado nos princípios de Marcelo Bielsa e Carlo Ancelotti, suas principais referências.

Neste sábado, 9, o craque pisou novamente no estádio Santiago Bernabéu. Trocou a camisa 5 que por muito tempo vestiu pelos acessórios sociais - camisa, gravata, terno. Manteve a mesma classe. Só mudou o figurino e a linguagem. O jogo era contra o Deportivo La Coruña. A vitória se fazia necessária, pois o Barcelona havia vencido o Granada por 4 a 0.

Sob o comando de Zizou, pude notar uma melhora expressiva no comportamento dos jogadores e no esquema tático. Com Rafa, era um time desorganizado, sem padrão de jogo, vontade. Os atletas pareciam insatisfeitos com o método de trabalho. Em poucos dias, Zidane mostrou que é um pai de família e vai dar conselhos aos filhos, para que novamente se tornem atletas de qualidade e respeito.

Contra o La Coruña, optou por colocar James Rodriguez e Danilo no banco de reservas. Os dois vinham sendo utilizados por Benitez, mas de forma equivocadas. Danilo era a Avenida Paulista aos domingos. O colombiano, por sua vez, era a Imigrantes em dia de volta de feriado. Ficava preso à marcação adversária e não possuía tanta facilidade para chegar à meta.

Zidane colocou Isco. Não fez uma boa partida, mas fez com Benzema e Bale jogassem e anotassem os cinco gols que levaram os merengues à vitória. Ficou comprovada a sua inteligência. Precisou de apenas 90 minutos para mostrar a que veio. Mas os resultados positivos não vão fazer parte de toda essa história que apenas está no início. Os desempenhos ruins vão acontecer, o que é natural e prática do futebol.

Portanto, não adianta os analistas de resultados expuserem suas críticas em momentos de agonia, tensão do Real Madrid. Analisem como um todo. Isso é necessário. A falta de experiência no papel de treinador pode gerar complicações em alguns momentos, voltando à tese de opção de risco, que ainda é superior em porcentagem se compararmos com outros nomes disponíveis no mercado, como o de José Mourinho ou Pep Guardiola, que já cravou que vai sair do Bayern de Munique nesta temporada. Mas o antigo camisa 5 daquele galáctico esquadrão tem o remédio: a genialidade e a precisão.

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